Devemos dançar conforme a música? – Cidadela

Nosso mundo está cheio de informações, a todo momento somos bombardeados com imagens e sons, em sua maioria propagandas. Para quem já teve o prazer de ter nas mãos o livro Cidadela, de Exupéry, sabe que o livro é muito mais um conjunto de ideias e ensinamentos do que uma história. Impossível tentar realizar uma análise completa de tal obra apenas em um texto curto como este pretende ser, assim me contento em colocar diante dos olhos do leitor uma breve consideração sobre um capítulo apenas.

Cap. LXXI
“Proíbo aos comerciantes que gabem demais as mercadorias. Eles tem tendencia a tornar-se pedagogos e mostram-te como fim aquilo que por essência não passa de meio. Depois de assim te enganarem sobre o caminho a ser, pouco falta para te perverterem. Se a sua música é vulgar, para a vender, não hesitarão em te fabricar uma alma vulgar. Ora, se é bom que se alicercem os objetos para servir nos homens, seria monstruoso que exigissem alicerces aos homens para servir de caixote do lixo aos objetos.”

Por que confundimos os fins com meios de alcançá-lo? Em algum momento nos foi dito que possuir era sinônimo de felicidade, quando na verdade possuir deve ser um meio de nos levar a felicidade. Imaginemos um mundo sem propagandas, no qual nós não fossemos enganados pelas milhares de promessas feitas pelos marketeiros de plantão. Talvez as pessoas conseguissem esquecer que precisam de um smartphone para passar o dia se escondendo da solidão ou de seus pensamentos nos ônibus ou qualquer outro momento de solidão enfrentado no dia a dia.
Se levarmos em consideração a teoria Behaviorista que prega que nossas ações são influenciadas pelo ambiente e vice-versa, podemos considerar verdadeira a quarta frase do capítulo. É perfeitamente plausível que a sociedade, em especial aqueles que possuem maior poder e  consequentemente mais meios de influenciar as pessoas, acabem moldando os indivíduos para que aceitem o que eles produzem. Assim recebemos das mídias um cardápio pronto de comportamentos a serem copiados. Assim temos as pessoas sendo usadas e os objetos exaltados. Os indivíduos tornam-se um meio dos objetos gerarem dinheiro.
É exatamente essa frase “Se a sua música é vulgar, para a vender, não hesitarão em te fabricar uma alma vulgar” que me vem a cabeça ao escutar certas músicas. As músicas mais tocadas não tem letras que falam sobre um assunto em especial, não tem uma história e parece que nada acrescentam a quem as ouve. Muitas são apenas um amontoado de notas e palavras misturas. Significa que músicas mais ‘inteligentes’ não são mais escritas? São escritas, porém não são promovidas, pois precisa-se vender produtos vulgares, e para isso é preciso um povo corrompido, que maneira melhor de corromper as pessoas?
Assim creio ser importante a reflexão sobre o que compramos, e quando digo compramos quero dizer de tudo o que colocamos dentro de nossas casas e dentro de nossa mente. Ninguém vai escutar apenas Chico Buarque, todos temos gostos musicais diferentes, mas certas músicas ofendem a inteligência daqueles que as escutam e são essas que acabam pervertendo as pessoas. Para terminar:

‘Você é os livros que lê, os filmes que assite, a música que ouve, as pessoas que você conhece, os sonhos que você tem, as conversas que você realiza. Você é o que você tira de tudo isso. Você é uma coleção de cada experiência que você tem na sua vida. Você é cada dia.’

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