Mary e Max – Uma Amizade Diferente

Baseado em fatos reais, Mary e Max nos conta sobre um encantador e improvável amor. Um amor diferente. Um amor fraterno. Nos apresenta a história de amizade entre uma menina de 8 anos, a Australiana Mary Daisy Dinkle, e um senhor Nova-iorquino de 44 anos, Max Jerry Dorowitz, cujas vidas se cruzam num encontro completamente genuíno: um reencontro de Almas entre duas criaturas que nunca se encontraram pessoalmente. Um amor baseado na confiança e no respeito, vencendo todas as barreiras emocionais, psicológicas e geográficas. Uma relação que mudará para sempre suas vidas.
O filme usa de delicadeza e humor para tratar de temas um tanto quanto indigestos e complexos como: rejeição, abandono, obesidade mórbida, alcoolismo, luto, transtornos psíquicos, bullying e homossexualismo. Através da troca de correspondências, descobrem uma grande afinidade. Seus históricos de abandono e solidão permite-lhes o compartilhamento de uma mesma dor: a falta de amor.
Quem nunca desejou ter alguém com quem dividir seu mundo, angústias, temores, ideias, alegrias e dores? Alguém que nos compreenda de forma íntegra, sem julgamentos, alguém para confiar seus mais íntimos segredos e desejos? Quem nunca precisou de um verdadeiro amigo? É o que podemos encontrar em Mary e Max – Uma Amizade Diferente.  Através do relacionamento por cartas, os protagonistas realizam juntos seu Processo de Individuação, termo da Psicologia Junguiana que diz respeito ao processo de transformação do ser humano, do Ego que parte em direção ao Self, em busca do autoconhecimento. 
A realidade das personagens nos remete a uma reflexão acerca da dificuldade que temos em estabelecer vínculos, o que na verdade reflete um distanciamento de nós mesmos, cujo sofrimento se concretiza na tentativa frustrante de procurar no mundo exterior aquilo que se deve procurar no próprio interior. É preciso que se tenha a capacidade de se conhecer, aceitar, amar, se acolher, relacionar-se consigo mesmo, para poder se relacionar com o outro. Os solitários não são pessoas distantes de outras, são apenas vazios de si próprio.
 O que me lembra o poema Solidão, de Fátima Irene Pinto:

Solidão não é a falta de gente para conversar,
namorar, passear ou fazer sexo…
isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos
pela ausência de entes queridos que não podem
mais voltar…
isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente
se impõe às vezes, para realinhar os pensamentos…
isto é equilíbrio.
Tampouco é o retiro involuntário que o destino
nos impõe compulsoriamente para que reveja a
nossa vida…
isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado…
isto é circunstância.
Solidão é muito mais que isto…
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos
e procuramos em vão, pela nossa Alma!

O filme fala das emoções através dos conflitos dos personagens e de como muitas vezes as reprimimos ao invés de expressá-las de forma saudável. Mary é uma garota muito sensível e emocional, enquanto Max é racional e pragmático, mas que também tem lá suas frustrações. A menina vive em uma dinâmica familiar totalmente desestruturada; não tem amigos, exceto um galo; é alvo de chacota na escola e tem baixa auto-estima, enquanto o Nova-iorquino enfrentava seus problemas de convívio social, emocional e psicológico providos da Síndrome de Asperger. É possível observar um baile de emoções : alegria, tristeza, dor, ansiedade, medo, raiva, ternura. Os Tipos Psicológicos dos dois eram assim completamente opostos, mas se completavam.  As vidas solitárias de Mary e Max são acalentadas pela troca mútua de confiança, amor, carinho e respeito. Suas dúvidas, prazeres e lamentações são compartilhados de modo que, compreendendo as falha e virtudes um do outro, encontraram a capacidade de compreender, cada um, a si mesmo.
Às vezes nossa vida parece estagnada num tom acinzentado, solitária, como a de Max, ou melancólica e marrom, como a de Mary.
Reconhecemos um amigo de verdade quando as cores individuais se entrelaçam e salpicam nossa vida num novo tom, cuja representação de tamanho avivamento não poderia ser outra a não ser a cor vermelha, a cor do amor.
Max finalmente consegue expressar suas emoções, graças as lágrimas emprestadas por sua amiga Mary. E pela primeira vez, Mary sente que é verdadeiramente especial para alguém, graças ao amor de sua amigo Max.

“O motivo pelo qual lhe perdôo é porque você não é perfeita, igual a mim. Todos os seres humanos são imperfeitos, igual a mim e a você. Quando eu era jovem queria ser outra pessoa, qualquer uma, menos eu. Se eu tivesse em uma ilha, sozinho, teria que me acostumar comigo mesmo. Tinha que aceitar-me com meus defeitos e tudo mais. Não escolhemos nossos defeitos, eles são parte de nós e temos que conviver com eles. Podemos no entanto escolher nossos amigos. E estou feliz por ter escolhido você. A vida de todo mundo é uma calçada longa, umas bem pavimentadas, outras rachadas, cheias de guimbas e cascas. A sua é igual a minha, cheia de rachaduras. Espero que um dia nossas calçadas se encontrem, e poderemos compartilhar uma lata de leite condensado. Você é minha melhor amiga. Minha única amiga.”

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2 comentários sobre “Mary e Max – Uma Amizade Diferente

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