Uma encruzilhada, vários caminhos e uma tabacaria – Tabacaria

Vez ou outra nossa vida parece estagnar, talvez seja como um viajante que, a noite e sem conhecer o caminho, para em uma encruzilhada, perdido, sem saber qual caminho seguir. Porém o viajante tem ainda uma vantagem, é possível retornar, retomar o caminho certo caso decida-se pelo errado, privilégio que não nos é concedido na maioria das escolhas que fazemos na vida, principalmente naquelas que mais importam. Tão numerosas quanto as placas que se mostram aos olhos do viajante noturno são as questões que, vez ou outra, andam por nossa mente como que as apalpadelas procurando seu par, procurando sua resposta, que muitas vezes não existe.

Assim nossa mente é povoada por perguntas, desde as mais simples como: ‘qual carreira seguir’, até aquelas que vagam a mais de séculos sem resposta: ‘qual o sentido da vida?’ Experimentamos então um leve sentimento, algo entre um vazio no peito e uma pressão nos olhos, alguns chamariam de angústia, tristeza, crise, pouco importa o nome para aquele que sente. Pouco importa ao enfermo saber o nome da enfermidade, lhe é mais útil buscar o remédio. Mas não existem farmácias que vendam respostas, aliás se algum lugar as venderia acredito que seria a biblioteca, porém lá, frequentemente, encontramos mais perguntas do que respostas. 
Como curar esse sentimento então? Bom, não existe uma resposta genérica, cada um precisa encontrar sua dose homeopática que lhe dará o alívio momentâneo, aquele que lhe permitirá repousar e recomeçar a busca pela cura. Particularmente gosto de visitar a ‘Tabacaria’ de Álvaro de Campos. A Tabacaria é como um porto seguro quando a mente está muito tempestuosa. É como encontrar um rosto conhecido em meio a faces hostis e estranhas, aquele momento em que você já não está mais sozinho, agora existe mais alguém, uma face amiga que te entende.
Existe pouco a dizer sobre esse fantástico poema, um tanto pessimista. O poeta conseguiu transmitir pontualmente a inevitável frustração daqueles que sonham alto, pois estes tem desejos difíceis de serem realizados e sua persistência é constantemente posta à prova. Assim como o eu-lírico do poema, muitas vezes nos sentimos desanimados, afinal temos grandes sonhos, desejos e ideias e estes demandam grande esforço para serem realizados, e as falhas fazer parte do trajeto, bem como o sentimento de impotência que muitas vezes nos atinge. Quando somos abatidos por esses sentimento a Tabacaria torna-se o lugar acolhedor para onde podemos voltar.
Porém existe uma contradição no poema à qual o leitor deve ser atento e que serve como reflexão. Falta ação, o personagem, apesar de seus belos pensamento, não age em nenhum momento, assim suas palavras morrem na rotina de sua vida. Que tal fim não seja repetido por aquele que lê! Mas que este encontre animo nos pensamentos expressos no poema e, ao contrário do homem que fica apenas à janela observando a tabacaria do outro lado da rua, que volte a tabacaria quando preciso, porém que ela não seja um ponto de fixação. Quem sonha grande precisa ter coragem de correr atrás do que almeja, não se pode gastar a vida divagando e olhando pela janela, é preciso sair e ver o mundo.
Finalizo com as palavras de Álvaro de Campos:

“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”

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