Pegando Carona nas Asas da Borboleta… – O Escafandro e a Borboleta

Muitas vezes o ser humano se sente aprisionado, seja psicologicamente, seja corporalmente. Alguns cárceres fundados pela própria pessoa, como os vícios são mais sofridos do que aquele que, tendo cometido um crime, está em uma cela esperando sua sentença. O segundo fez por merecer sua prisão, tinha consciência de seus atos e mereceu a punição recebida, mas o primeiro caiu, desavisado, em uma armadilha da qual não consegue libertar-se, como um aventureiro despreparado que passa sobre a areia movediça, não importam seus esforços, sozinho, ele só irá afundar cada vez mais. Milhares de coisas nos vem à cabeça quando ouvimos falar sobre prisão, para quem já entrou em contato com a obra intitulada “O Escafandro e a Borboleta”, torna-se impossível não relembrá-la.
O filme é extremamente rico (muito mais deve ser o livro), seria interminável uma análise completa, por isso escolho uma vertente que muito me agrada, esta pode ser traduzida pelo trecho:
“Dei conta de que há duas coisas que não estão paralisadas além de meus olhos: minha imaginação e minha memória. são os meios que me permitem sair de meu escafandro.”
Para aqueles que são amantes da leitura, é redundante a explicação de como nossa imaginação pode nos proporcionar bons momentos (embora ela possa ser traiçoeira e nos levar aos vales estéreis da preocupação). 
Quem visitava aquele homem acamado sentia pena dele, não podia mexer um músculo sequer. Porém ele, em sua cama e em sua mente tinha mais liberdade do que muitos trabalhadores que se deslocam por uma hora para chegar ao serviço. Em sua mente ele viajava o mundo e era acompanhado por quem ele desejasse, bastava fechar os olhos e o mundo aparecia diante dele como em um passe de mágica. 
Com esse simples exercício ele punha por terra as limitações de seu corpo, então o escafandro passou a ser um casulo, do qual saía uma borboleta que voava livremente, rompendo as barreiras do espaço e do tempo, levando-o a qualquer lugar que desejasse. 
Diante de tal história é preciso refletir sobre nossa liberdade. Talvez seja difícil admitir que um homem acamado possa ser mais livre do que um jovem fisicamente perfeito e que poderia viajar o mundo todo mas não vai porque, descuidado, pisou em terras desconhecidas e agora encontra-se atolado até o pescoço em areias que o prendem. Talvez o trabalhador que com seus quarenta anos, ao colocar a cabeça no travesseiro não consegue libertar-se da realidade, nunca lhe fora ensinado que poderia viajar o mundo fechando os olhos, assim com as pupilas cerradas os únicos pensamentos que lhe invadem são aqueles que ele deveria ter deixado no trabalho.
O ser humano é tão livre, pode ir a tantos lugares, fazer tantas coisas, ser tantas coisas diferentes, me pergunto sempre o motivo dele se prender tanto.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s