Gênio Indomável

            Análise baseada na teoria da Abordagem Centrada na Pessoa, desenvolvida por Rogers, da linha Fenomenológica.       


Rogers nunca propôs técnicas específicas para que se constitua a relação de ajuda terapêutica. Postula que o contato do profissional com o paciente provém de um conjunto de concepções, atitudes e valores relacionados ao ser humano, agindo, o terapeuta, como pessoa, e nunca como especialista. E para que isso se torne possível o autor coloca em prática princípios existencialistas, fazendo o uso da Fenomenologia.
           Na Abordagem Centrada na Pessoa, o pressuposto fundamental é que em todo indivíduo existe uma tendência atualizadora, uma tendência do organismo para se desenvolver e atualizar suas potencialidades. Segundo Rogers, existem três atitudes psicológicas que facilitam a tendência atualizadora, tais como a congruência, a aceitação positiva incondicional e a empatia. Tais conceitos são possivelmente observados no filme “Gênio Indomável”, de Gus Van Sant, que conta a trajetória de Will Hunting, um jovem órfão com passagens criminais, que trabalhava como servente em uma universidade e que curtia a vida de brigas e bebedeiras com os amigos. 
     

As condições de vida do personagem sugere que ele vivia sob o conceito de incongruência. Segundo Rogers, toda criança necessita se sentir aceita e merecedora do amor daqueles que lhe são importantes. Condição desfavorável para Will, que nunca usufruiu de suporte familiar. A perda desse amor fez com que ele criasse mecanismos de defesas, afastando a consciência desses elementos e acarretando sentimentos de insatisfação, incapacidade, desajustamento e uma ideia falsa de si mesmo, claramente observados no decorrer do filme, onde se mostra rebelde e extremamente relutante, quando, após mostrar-se um gênio resolvedor de teoremas matemáticos, o professor Lambeau lhe propõe uma mudança de vida com a condição de que era preciso passar por um terapeuta, ou até mesmo quando encontra uma possibilidade de relacionamento afetivo, mas reluta em conhecê-la e se apaixonar.  Porém, para Rogers, a tendência atualizadora preserva a vida do organismo à espera de que as condições tornem-se favoráveis. Possibilidade vista quando Will conhece o Dr. Sean Maguire, que faz o que nenhum terapeuta havia feito antes: oferece mais do que sua presença para escutar, provocando dúvidas e questionamentos até para ele mesmo. Suas sensações e emoções eram tratadas como parte do processo, e até os incômodos iniciais, providos dos deboches do jovem, possibilitou o Dr. Maguire tornar-se mais humanamente acessível ao paciente, como por exemplo quando Will zomba do quadro do terapeuta, fazendo com que este demonstre claramente sua raiva. Na cena seguinte, tanto quanto no decorrer da história, ele mostra ao menino que seu caráter, seus valores e vivências não se resumem apenas ao que é aparente, o quadro, no caso, e conta diversas experiências, tanto dolorosas como alegres, vividas com sua falecida esposa. Assim ele confronta o jovem, mostrando-o que seus comportamentos não são nada além de uma aparência construída à base de mecanismos de defesa, e que para que haja compreensão não é necessário o uso de teoria alguma, mas sim do conhecimento acerca do menino, seus desejos, dores, temores e experiências.

O estado de incongruência de Will começa a ser revertido, e para tal a atuação do Dr. Maguire abrange os três conceitos facilitadores da tendência atualizadora citados por Rogers, a começar pela empatia e a aceitação positiva incondicional, onde o Dr. Maguire, através de exemplos de suas próprias experiências se penetra no universo de Will, partilhando sentimentos em comum, mostrando compreensão sem julgamentos, ou esclarecimento de suposições. Assim como também o próprio paciente ajuda o terapeuta a resolver dificuldades relacionadas à perda de sua esposa, ambos fazendo-se questionar, reconhecendo e respeitando a subjetividade e autonomia de cada um. Essa empatia recíproca e aceitação positiva incondicional fez com que eles se ajudassem a partir de suas experiências e anseios. Dessa forma, o terapeuta se manteve como um elemento a mais e não como o líder. Característica fundamental da Terapia Centrada na Pessoa.
        Essas condições foram extremamente favoráveis para uma relação de congruência. O Dr. Maguire se manteve autêntico durante todo o processo terapêutico, como é possível observar nas diversas vezes em que apresentou abertamente, sem “máscara”, os sentimentos e atitudes que nele surgiam, entrando em uma relação pessoal direto com o paciente. Assim, facilitando o crescimento pessoal de Will, fazendo-o perceber-se sem muros defensivos, capaz de se desenvolver e se organizar apoiado em seu potencial de crescimento, com autonomia para se direcionar, alterando seu auto conceito e aprendendo que não existe perfeição, que é preciso saber viver diante daquilo que lhe é possível, aceitando a si mesmo para aceitar os outros de forma genuína. Essa mudança pode ser observada no seu relacionamento com Skyla, quando ele é capaz de lidar com seus próprios sentimentos e também como os dela de forma segura e autêntica, bem como quando decide procurar seus caminhos, tendo, assim, que abandonar o professor Lambeau. Tais condições revelam a Tendência Atualizadora, possível quando a relação Terapeuta-Paciente se baseia na abordagem não-diretiva, na qual o foco não é na problemática em si, mas sim no paciente como possuidor do poder de se dirigir a si mesmo, onde o terapeuta vai criando condições para que o indivíduo possa reorganizar-se e encontrar a sua própria direção.
       
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O Gato Veste Seu Terno Negro Também – MIB 3

O que nos fez sermos como somos hoje? Quais escolhas foram certas? Como saber quais as consequências de nossas escolhas? 

M.I.B 3 é um filme muito engraçado e bem famoso devido aos efeitos e aos seus antecessores. Gostaria de pontuar duas coisas que podem passar batido em um filme como esse, que, porém, merecem ser pensados. 
A primeira coisa é quando agente J pergunta para o agente K “o que foi que aconteceu com você?”. (Lembrando: foram duas vezes!) A resposta era sempre a mesma “Nada, ainda.” O que pode acontecer com alguém em 40 anos? Muita coisa! Na verdade, o que J queria saber era “o que te deixou tão duro?”, “O que te transformou tanto?”. Aqui eu me lembro de um poema da Cecília Meireles:

Retrato

Eu não tinha esse rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem esse lábio amargo.

Eu não tinha essas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha esse coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
– Em que espelho ficou perdida
a minha face?

É justamente isso o que aconteceu com K e acontece com todas pessoas, não se dão conta de como mudam, aliás mudar não é ruim, endurecer é que é o verdadeiro pecado. O coração que não se mostra e não dá lugar às emoções, os lábios amargos que já não dizem palavras de amor, tudo isso acontecendo sem que ninguém perceba. Quando as lembranças nos invadem percebemos que perdemos algo, em algum lugar, mas não sabe-se onde. Às vezes, nem sabemos o que perdemos. Talvez tenha sido o sorriso, enterrado com tantos amigos. Por vezes é o amor, que foi roubado por uma paixão. Nunca sabemos quem levou o quê. Imagino que J poderia ter alertado K, “não endureça! Não deixe que te endureçam, não deixe que te roubem.” 
O segundo ponto do filme é o personagem Griffin, ele vê todas as possibilidades do futuro, cada possibilidade um futuro. Griffin se encontra neste quebra-cabeças esperando que as possibilidades se concretizem. O futuro se mostrando como um leque de probabilidades, apenas esperando que o destino lance os dados e uma se concretize. Gosto muito dessa ideia. Escolher visualizando as consequências talvez tornasse as escolhas mais conscientes, ou talvez só aumentasse a indecisão e o arrependimento. Não existe certeza, apenas probabilidades. Essa personagem é muito parecida com a corrente filosófica da Fenomenologia, a questão das escolhas na vida dos homens. Cada escolha um leque de possibilidades, cada escolha um arrependimento do que poderia ser, um tiro no escuro esperando acertar o alvo, nunca se sabe o que vai atingir. É assim que passamos nossa vida, escolhendo sem saber o que poderia vir-a-ser.

Lispector Aos Olhos De Um Gato Abusado Metido À Fenomenologia

    


          Em “As águas do mundo”, Clarice Lispector nos apresenta dois personagens que se complementam: o mar e a mulher. Ambos vastos, profundos e providos de um mistério jamais desvendado. O mar é apenas o mar. Uma grande mistura de cloretos, sulfatos, fosfatos: sais. São sais de composição química diversificada, mas que nutrem, que fazem crescer a vida, que fazem a vida desabrochar, se manter, existir. O mar é lugar de plantas, é por onde o mundo respira com a sua infinita capacidade fotossintética. São águas que se misturam de geleiras derretidas, de rios escoados. É o resultado da ação dos ventos, do aquecimento pelo Sol, do subir e descer de vapores que, condensados, atingem a imensidão da superfície e um dia retornarão de forma direta ou indireta ao mar. Um encontro de águas do mundo todo. São as mesmas águas que também já passaram por organismos procariontes e eucariontes simples e também complexos. Já conheceram seres que hoje não existem, são águas velhas. São águas experientes, que sabem como lidar com o mundo, o que podem oferecer, o que devem oferecer. Já passaram por mim, por você, por ele. As águas do mundo nos atingiram e depois voltaram. Talvez não para o mar, mas é para lá que estão a caminho, cedo ou tarde. É um eterno vir-a-ser. Para que haja o encontro entre o mar e a mulher, esses seres incognoscíveis, é necessário suspender quase todos os pré-conceitos, já que seria humanamente impossível a suspensão total. O que pode ser visto no instante em que a mulher observa o mar e se entrega, pois, naquele momento, suspende o medo e tudo o mais que sabia a respeito do mar. Agora ela tem a liberdade de contemplá-lo. Mas somente até onde a linha do horizonte permite. Aceita que a humana caiba dentro dos limites.
Muitas de suas histórias o mar jamais contou a alguém. Tem segredos e ciladas que só alguns marinheiros experientes conhecem e um sem-número de outros aventureiros, que, sem sorte, foram tragados por suas ondas e agora dormem em silêncio no mais profundo de suas águas.  Mas na praia, onde a mulher desafia as águas, não são contadas as histórias dos marinheiros vivos, tampouco a história dos que padeceram no mar. Na praia o que se observa são as ondas que, tal qual sereias, convidam os desavisados a entrarem nas águas inconstantes.




A mulher aceita o convite, e livre, sem ninguém para testemunhar sua coragem, sua escolha, sua intencionalidade, sem saber de nada, apenas sentindo e aceitando a responsabilidade de abarcar em si a história do mundo com as águas ao seu redor, a figura feminina mistura sua própria história com esta de todos os outros humanos que já estiveram no mar. O que lhe proporciona o prazer da liberdade e, ao mesmo tempo, sofrimento, causado pela dúvida em se arriscar no novo ou permanecer em solo firme. Ao se perceber incapaz diante de tanta incerteza sobre sua existência, anseia por sentido, e isso lhe dá coragem para sentir sem pensar, não se baseando em “certo ou errado” e “bom ou ruim”. Para que se tenha a coragem de prosseguir, faz-se necessário reconhecer a imprevisibilidade humana. A mulher passa a ter consciência do momento em que está vivendo e goza de grande prazer nessa nova experiência, porém, como o sentido é mutável, a mulher sente a necessidade de aprofundar-se na descoberta, fazendo com que ela explore ainda mais o desconhecido, tomando goles de conhecimento que a faz sentir menos vulnerável, compreendendo que as experiências vividas apenas fazem parte do construto de sua vida, e não uma definição do seu ser.
Agora as histórias estão entrelaças, e possuem algo em comum. Não são mais estranhos, são companheiros de viajem. Um veste o outro, ambos convivem, se aceitam, se experimentam. Na imprevisibilidade da situação a vida acontece, e ressurge, e o mar escreve novamente outra história: a história da mulher que ousa, que se abriu a novas descobertas, a novas liberdades e preenchimentos. A mulher que escolheu conhecer a história do mundo.

A Casa dos Pequenos Cubinhos

      


A Casa dos Pequenos Cubinhos é uma animação sem diálogo criada pelo japonês Kunio Katô, junto com a composição musical de Kenji Kondo. O curta, de pouco mais de 12 min, possibilita a abrangência de alguns conceitos psicanalíticos. A psicanálise começou como uma teoria do trauma, acreditando que, já que as histéricas viviam de lembranças, a recordação continha uma qualidade patogênica, então, utilizava-se da hipnose, que consistia em colocar o paciente de volta numa situação anterior, fornecendo um relato de tais processos mentais. O que mais tarde foi abandonado para dar lugar à associação livre. Logo o campo da psicanálise se estende para a investigação da realidade psíquica. Para Freud o objetivo da cura analítica era tornar conscientes as recordações psíquicas que foram reprimidas. O paciente deve recordar determinadas vivências, juntamente com suas respectivas emoções, pois somente assim será possível compreender que a realidade aparente nada mais é que o reflexo de lembranças esquecidas. O objeto de estudo não é o que pode ser lembrado, mas sim o que está retido no inconsciente, ou seja, justamente aquilo que se deseja esquecer. Essa interrupção da memória pode ser entendida pela psicanálise como a atuação de processos defensivos. Assim, as memórias esquecidas estão na verdade reprimidas no inconsciente por se tratarem de lembranças que trariam sofrimento para a pessoa. No curta, o personagem, ao olhar pela janela de casa, fumando cachimbo aos suspiros, parece estar vivendo uma vida sem plenitude, como se lhe faltasse algo. As casinhas empilhadas e cada vez menores fazem alusão ao então dito mecanismo de defesa, atuante na condição de proteger o personagem de suas emoções, sintetizando a situação de memorização do velhinho que, a cada casa abandonada, constrói novos muros de tijolos, tornando-o cada vez mais distante de suas lembranças, que vão ficando pequenininhas, assim como o espaço que precisa pra viver, do tamanho de seu interior.
    Dessa forma, o curta também faz referência ao processo de luto. A perda de um ente querido é uma das experiências mais dolorosas para um ser humano. Esse processo se faz presente durante toda existência, e não se trata somente de um fenômeno orgânico, mas sim da perda de um elo entre uma pessoa e seu objeto, a separação, morte, a perda de valores atribuídos, perda do emprego, ou qualquer outra coisa que possa causar uma ruptura de identidade, caracterizando-se, portanto, como um processo mental. Essa experiência de perda e abandono é inerente à vida e faz parte de um processo de mudança que é experimentada por todos. Freud caracteriza o luto como uma fase de inibição do Ego, que é uma reação à perda de um ente querido, objeto libidinoso, ou qualquer coisa associada a este ente, o que é doloroso até que, em algum momento, o Ego fique outra vez desinibido. Esta fase é marcada pela ausência do objeto amado, da retirada de toda libido e seu deslocamento para outro objeto. O tempo de luto é variável, podendo durar anos, ou até mesmo nunca ser concluído. Durante os anos, um desespero, uma profunda tristeza e um desânimo podem aparecer juntamente com a memória do objeto perdido, característica presente no protagonista logo no início co curta.
    Para ele o cachimbo era um objeto carregado de significações, parece até ser seu único objeto de desejo, devido tamanha carência emocional. Infere-se que todo esse sentimento depositado no objeto seja porque ele representa uma fonte de aproximação com suas memórias e sentimentos, já que, conforme é mostrado no decorrer da história foi um objeto usado durante muitos anos, em vários momentos importantes de sua vida, e quando cai na água o velhinho experimenta mais uma perda, mais uma angústia. Seria preciso, então, elaborar essa perda de modo que a libido fosse deslocada para outro objeto. Porém, ele decide mergulhar para tentar resgatar o cachimbo. Esse mergulho representa o primeiro contato com suas lembranças, para que logo venha à tona uma quantidade muito maior de memórias que estão submetidas a graus mais profundos da censura que existe entre o inconsciente e a consciência. Assim que pega o cachimbo, sua memória mais recente, a imagem de sua falecida esposa, lhe toma de assalto. Então, instigado a entrar em contato consigo mesmo, o velhinho mergulha cada vez mais fundo, revivendo novamente variadas situações em que foi preciso conviver com uma separação e a perda, incluindo a morte da esposa, o namoro e o casamento da única filha, e até mesmo quando a menina, quando criança, deixa sua casa para ir à escola. E mergulhando mais fundo, revive o tempo em que a menina aprende a andar e a construir castelos de cubinhos de brinquedo, dando os primeiros sinais de independência. Chegando ao primeiro cubículo, o mais fundo, ele atravessa a porta e relembra os tempos de juventude, quando conheceu a esposa, se apaixonou, pediu-a em casamento e construíram a casa, o cubinho que seria a base para todas as próximas construções. Todos esses momentos tão significativos para o personagem haviam sido reprimidos no inconsciente, eram lutos mal elaborados que lhe fizeram esquecer todas aquelas passagens que são, na verdade, a construção de sua própria identidade e seu processamento psíquico. Ao olhar para o grande prédio em que se formou ele observa que os cubinhos vão se tornando cada vez menores. Assim, faz-se alusão à sua memória, que foi ficando cada vez menor a cada luto negado.

   A Casa dos Pequenos Cubinhos faz referência à terapia de abordagem psicanalítica, que mostra que é exatamente a memória daquilo que se viveu e construiu que pode revelar muitas respostas. As pessoas vão erigindo cubos que deixam imersas essas lembranças. A psicanálise contribui exatamente com a compreensão desses processos de luto e na possibilidade da elaboração, que é a consciência da perda e o processo normal do luto, e é o terapeuta quem possibilita o sujeito a tocar os pés nesse fundo.
   O curta termina com o velhinho brindando com duas taças de vinho, uma de seus tempos atuais e outra que fora resgatada daquela primeira casa submersa em que morou. Vasculhar a memória para entrar em contato com velhos sentimentos, elaborar lutos acumulados e se auto-redescobrir é isso: brindar o presente tomando uma taça de vinho com o passado.

 “Nada na vida psíquica pode se perder. Nada desaparece daquilo que se formou, tudo é conservado… e pode reaparecer…” – Freud

 

Rapidinha de Boas Vindas

“- Gatinho de Cheshire (…) Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui?
– Isso depende muito de para onde quer ir – respondeu o Gato.
– Para mim, acho que tanto faz… – disse a menina.
– Nesse caso, qualquer caminho serve – afirmou o Gato.
– … contanto que eu chegue a algum lugar – completou Alice, para se explicar melhor.
– Ah, mas com certeza você vai chegar, desde que caminhe bastante.
– Mas eu não quero me meter com gente louca – ressaltou Alice.
– Mas isso é impossível – disse o Gato. – Porque todo mundo é meio louco por aqui. Eu sou. Você também é.
– Como pode saber se sou louca ou não? – disse a menina.

– Mas só pode ser – explicou o Gato. – Ou não teria vindo parar aqui.”


      – Alice no País das Maravilhas